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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O DESERTO E A CAVERNA...Metáforas da hora escura da alma...



Provas, limitações, dificuldades, entraves...

Nesta vida encontramos todos os tipos de experiências que podem criar um novo contexto para nós.

Estava aqui caçando algo para meditar quando me deparei com o seguinte versículo bíblico em uma página:


Eu te conheci no deserto, na terra muito seca. Oséias 13:5


A divindade hebraica falando ao seu povo diz com todas as letras a situação desesperadora em que se encontravam os israelitas quando Ele lhes foi ao encontro.

DESERTO...

Todas as grandes provas emblemáticas da Bíblia ou pelo menos a grande maioria delas deram-se no deserto.

O deserto físico contudo é um símbolo de algo mais profundo, interno, o deserto da alma, aquilo que São João da Cruz chamava de...A NOITE ESCURA DA ALMA.

TERRA MUITO SECA...

O deserto não tem água ou quase não a tem, também há escassez de viveres e de verde. É uma terra desolada onde no mito espíritos malignos povoam-na.

EU TE CONHECI...

Pois é neste deserto, nesta terra seca que dá-se o verdadeiro encontro entre a divindade e os israelitas.

SER CONHECIDO POR DEUS...

O que seria isto?

Significa que dentro de suas dificuldades, de suas limitações atuais, das coisas que você considera desprezíveis em sua vida, é em meio a tudo isto, destas coisas que acontece o encontro com o sagrado.

A terra seca parece improdutiva, nada dá, mas é nesta situação aparentemente impossível que o encontro acontece.

A DIVINDADE GOSTA DE PESSOAS QUE NÃO SE MEÇAM PELO QUE SÃO, ESTÃO OU POSSUEM MAS QUE SIMPLESMENTE ESTEJAM DISPONÍVEIS À ELA...

Aquele, aquilo que era visto como Deus externo, fora de si, que nos encontrava em desertos literais da vida vai na medida em que o homem se aproxima do sagrado revelando-se uma verdade...INTERNA.

Deixamos de ver nas situações literais meramente a vivência material e passamos a perceber o suspiro do eterno em nós, nos nossos relacionamentos, em nossas situações, em nossos espaços, em nossos tempos.

Este suspiro, esta voz mansa e suave, é o encontro divino no Ser, a partir do ser na alma dos humanos.

Vejamos um exemplo bíblico de um encontro no deserto entre alguém e este senso de sagrado.


E Acabe fez saber a Jezabel tudo quanto Elias havia feito, e como totalmente matara todos os profetas à espada.
Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias, a dizer-lhe: Assim me façam os deuses, e outro tanto, se de certo amanhã a estas horas não puser a tua vida como a de um deles.
O que vendo ele, se levantou e, para escapar com vida, se foi, e chegando a Berseba, que é de Judá, deixou ali o seu servo.
Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.
E deitou-se, e dormiu debaixo do zimbro; e eis que então um anjo o tocou, e lhe disse: Levanta-te, come.
E olhou, e eis que à sua cabeceira estava um pão cozido sobre as brasas, e uma botija de água; e comeu, e bebeu, e tornou a deitar-se.
E o anjo do Senhor tornou segunda vez, e o tocou, e disse: Levanta-te e come, porque te será muito longo o caminho.
Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.
E ali entrou numa caverna e passou ali a noite; e eis que a palavra do Senhor veio a ele, e lhe disse: Que fazes aqui Elias?
E ele disse: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada, e só eu fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem.
E Deus lhe disse: Sai para fora, e põe-te neste monte perante o Senhor. E eis que passava o Senhor, como também um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante do Senhor; porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto; também o Senhor não estava no terremoto;
E depois do terremoto um fogo; porém também o Senhor não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e delicada.
E sucedeu que, ouvindo-a Elias, envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu para fora, e pôs-se à entrada da caverna; e eis que veio a ele uma voz, que dizia: Que fazes aqui, Elias?
E ele disse: Eu tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada, e só eu fiquei; e buscam a minha vida para ma tirarem.
E o Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; e, chegando lá, unge a Hazael rei sobre a Síria.
Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel; e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar.
E há de ser que o que escapar da espada de Hazael, matá-lo-á Jeú; e o que escapar da espada de Jeú, matá-lo-á Eliseu.
Também deixei ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou.
Partiu, pois, Elias dali, e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele, e ele estava com a duodécima; e Elias passou por ele, e lançou a sua capa sobre ele.
Então deixou ele os bois, e correu após Elias; e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei. E ele lhe disse: Vai, e volta; pois, que te fiz eu?
Voltou, pois, de o seguir, e tomou a junta de bois, e os matou, e com os aparelhos dos bois cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram; então se levantou e seguiu a Elias, e o servia.

1 Reis 19:1-21



Elias estava fugindo da rainha insana Jezabel mulher do rei Acab de Israel, a qual pintava e bordava no reino e o rei assinava embaixo...
Achava-se só, deprimido, abatido e acovardado...então Elias escondeu-se numa caverna e lá ficou esperando o fim iminente...

Deus então lhe chega e diz que saia para fora da caverna pois terá um encontro com o Senhor...interessante que parece que o texto faz distinção entre Deus e Senhor já que Deus lhe fala DENTRO da caverna que o Senhor passará fora da caverna.

Ora se Deus e Senhor aqui fossem a mesma entidade porque não falar com ele dentro da caverna mesmo já que lá começara a falar?

Quem era Deus aqui e quem era o Senhor?

A impressão que temos é que Deus refere-se ao Eu interno do profeta, ele estava dentro de uma caverna literal que simbolizava a caverna espiritual em que se enfiará e ouviu a voz divina dento de si mandando-o sair para fora da caverna porque o Senhor queria falar com ele.

Este Senhor parece ser uma entidade à parte do profeta e diferente do Deus que lhe falara antes não? Veremos se é isto mesmo.

A voz mansa e delicada pode até acenar para uma 'Senhora' de repente e não um Senhor né?

Seja como for o Deus em si revela que uma entidade epifânica, uma emanação do sagrado quer lhe falar externamente. O Deus em si poderia falar com ele mas Elias precisava ter uma prova do espetacular, do numinoso fora de si para criar coragem de novo será isto?...Como um São Tomé ele queria ver para crer...e ao sair da caverna ele vê 3 tipos de fenômenos aparentemente naturais mas identificados com origem supranatural...um vendaval...um terremoto...um fogo...

Aqueles que interpretam de modo literal e ufológico vêem aqui uma manifestação deste gênero e na voz mansa e suave do Senhor a voz de um astronauta através de um aparelho sonoro MAS...esquecem-se de que DENTRO da caverna Deus havia falado com ele...Deus havia se manifestado e mandado que ele saísse para fora pois o Senhor iria ter um encontro com ele.

Se fosse tudo tão literal assim, tudo tão preto no branco assim para explicar-se tudo meramente como um fenômeno ufológico...

QUEM SERIA O DEUS QUE FALOU DENTRO DA CAVERNA ENTÃO?

Portanto a meu ver estamos diante de um texto cabalístico que como uma cebola tem diversas camadas de interpretação.

A caverna aqui pode ser literal? 

Sim, mas mais que isto é o estado interno de prostração em que se encontrava o profeta, a voz de Deus falando com ele é para mim num outro nível de leitura seu eu maior, sua presença Eu sou... o sair da caverna para ver o Senhor é o ato do profeta em desprender-se da depressão, da tristeza em que estava e saindo deste estado ver e perceber primeiro vários fenômenos paranormais e supranaturais e que se manifestaram como 'vento', 'terremoto' e 'fogo' os quais lhe avivaram a memória do poder que estava disponível a si para fazer seu trabalho e depois a voz mansa e delicada traz a noção inicial, de que NADA externo a si tinha mais poder, mais capacidade de atuação nele do que...

 A VOZ DIVINA, A PALAVRA DE DEUS, QUE SEMPRE FALARÁ COM ELE NO OCULTO DO SER.

Portanto Deus e Senhor aqui para mim são um único e mesmo ser, a impressão inicial de que são entidades à parte, uma interna e outra externa caem por terra quando o texto diz que em nenhum dos fenômenos espetaculares estava o tal Senhor mas na voz mansa e suave... e porque esta voz seria diferente da outra voz divina se AMBAS eram a Voz de Deus?

Pode realmente ter havido as duas coisas ou seja; depois de um contato interno com o sagrado ver e ouvir-se uma manifestação externa e epifânica? 

SIM! 

Mas esta voz MANSA E SUAVE me parece a mesma voz que falará antes, portanto a impressão que tenho é que mais que uma caverna física - ainda que numa ele pudesse estar- de um deserto físico, o profeta esta numa caverna escura de prostração interna e uma situação tão terrificante que é descrita como um deserto e teve que sair deste estado para compreender claramente o que A Voz Divina que sempre lhe falará queria comunicar-lhe agora...

Quantas vezes nós ouvimos durante anos e anos a voz divina em nós mas quanto chegam momentos tenebrosos parece ou que não a escutamos mais ou se escutamos parece que o efeito não é o mesmo de outrora? 

Assim para Elias o espetaculoso é meramente a forma que o sensorial, os elementos internos sensíveis do profeta às visões etc...encontra para que ele ESCUTE DE VERDADE a Voz que antes lhe falará mas não encontrara dentro dele nesta fase caverna resposta efetiva.

A MESMA VOZ DE SEMPRE MAS O PROFETA QUE A ESCUTA APÓS SAIR DA CAVERNA É UM OUTRO PROFETA, NÃO SÓ DIFERENTE DAQUELE QUE ENTRARA NA CAVERNA DEPRIMIDO MAS ATÉ MESMO DAQUELE QUE ANTES ATUARA PELO SAGRADO EM TODA ISRAEL ANTES DE SER CONFRONTADO E AMEDRONTADO PELA RAINHA INSANA.

Foi um encontro definitivo e transcendente que já preparava Elias para o processo de ASCENSÃO que logo depois iria vivenciar quando toda sua estrutura seria transmutada e ele ascenderia ao reinos superiores do Ser como uma entidade divina conhecida nos meios judaicos como Arcanjo SANDALPHON o gêmeo divino de METATRON que por sua vez teria sido o profeta Enoque...um seria chamado de 'a pequena face de Deus'...Elias/Saldalphon e considerado o Anjo da Terra ou da dimensão Malkuth ou o reino...o outro, Enoque/Metatron, de 'a grande face de Deus'  o Anjo da Presença ou da dimensão Kether ou trono divino.

A voz sagrada portanto é a Shequináh a Glória divina, a Sofia divina que fala ao profeta a partir de seu interior. Numa cultura onde o patriarcalismo e monoteísmo imperavam chamá-la de 'Senhora' seria desproposital afinal era a Glória DO SENHOR e portanto indivisível do Senhor e pronto não precisava  chamá-la de Senhora na visão deles pois isto criava uma cisão desnecessária na deidade...

É esta Glória, esta Shekinah que depois vem e como um carro de fogo, uma Merkabah sagrada eleva Elias para sua nova vida como Arcanjo Sandalphon...

Assim o 'Senhor' adora nos encontrar nos desertos da vida, nos momentos mais estranhos e excruciantes e ao revelar-se, revelar que ELE E ELA SÃO A MESMA COISA...A VOZ OU A PALAVRA...E DEUS... E QUE NÓS E ELE/ELA SOMOS TAMBÉM UMA COISA SÓ.

Sua Voz é a Voz do sagrado em nós falando os mistérios dos dias passados, presente e futuros!

Amor e Luz!

Valter Taliesin


VÍDEOS SAGRADOS

PINK FLOYD














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FONTE GOOGLE IMAGENS...

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